Projeto dos arquitetos Larissa Catossi e Guilherme Abreu tem atmosfera acolhedora e transforma o lar em refúgio com o Brick Torrone Cioccolato!

O projeto “Raiz e Trânsito – Casa Pedro Neves” está entre os projetos vencedores do Bioma Cerrado da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB 2026), que acontece entre 25 de março e 30 de abril, no Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Representando o Maranhão, os arquitetos Larissa Catossi e Guilherme Abreu projetaram um espaço que integra a arte e o design, a tradição e a força cultural partindo de uma arquitetura contemporânea.
Ao entrar, o visitante é envolvido por uma atmosfera terrosa e acolhedora, criada pela utilização do Brick Torrone Cioccolato da Lepri Revestimentos Naturais no pavimento e nos detalhes das paredes. O material remete para a terra, para o fazer artesanal, o abrigo e a memória tátil do lugar de origem, criando assim a sensação de uma oca reinterpretada, de uma arquitetura de acolhimento, pertencimento e permanência.
A paleta cromática do projeto se ancora no azul e no vermelho, cores da bandeira do Maranhão, que percorrem o espaço como símbolos de identidade e pulsação. O azul, em nuances que dialogam com o mar, o céu e os azulejos de São Luís, remetem a travessia, fluidez e herança cultural. O vermelho intenso e vibrante traz energia, ritmo e vitalidade, evocando as manifestações populares a força coletiva que marca este Estado. Juntas, as cores constroem um diálogo entre território e emoção, tradição e expressão contemporânea.
No centro da sala de estar está uma grande escultura-instalação que se estabelece como o coração simbólico do espaço. Inspirada nas matracas do Bumba Meu Boi, a obra reinterpreta o instrumento popular numa linguagem contemporânea: as rosas de aço inox sustentam as matracas de madeira conectadas por fios, representando ritmo, união e coletividade. A instalação traduz o som do Maranhão em forma de matéria, transportando a identidade de um povo para um contexto urbano e artístico.
O aço inoxidável, em contraste com o barro, surge como uma metáfora da contemporaneidade e da migração. É o elemento que reflete, tensiona e significa terra, simbolizando o contacto com o mundo urbano, o impacto da mudança e a sobreposição de tempos e experiências. O encontro entre materiais distintos não provoca ruptura, mas coexistência, revelando a beleza que emerge do contraste.
O mobiliário do espaço reforça a valorização da produção local, peças assinadas por designers maranhenses como Larissa Catos, Guilherme Abreu M C+, que dialogam diretamente com a arquitetura e afirmam a força do design do Nordeste e da criação autoral do estado.
Na área do banheiro, a curadoria apresenta um elemento de forte simbolismo: uma máscara de Mestre Zimar. Inserida no coração da área íntima, a peça atua como um guardião simbólico, estabelecendo uma ligação direta com a cultura popular, a ancestralidade das narrativas coletivas que atravessam o mesmo espaço.
A curadoria de artes plásticas conta com a presença de obras de Thiago Martins, Gêviana, Marco Moreira, Carchirise e Luís Carlos Lima, fortalecendo o diálogo entre diferentes linguagens, gerações e formas de expressão da produção artística maranhense.
Nas paredes, as obras originais de Pedro Neves exploram a geometria, com memória popular brasileira. Ao lado das esculturas inspiradas na arte popular nordestina, amplia-se a presença do coletivo, da tradição e do imaginário popular que sustentam o conceito do projeto.
O espaço apresenta-se, assim, como um território de encontro e passagem entre o presente, a tradição e a contemporaneidade, reafirmando o Maranhão como um local de produção cultural viva, múltipla e em constante transformação.
Serviço — Bienal de Arquitetura Brasileira 2026
Quando: 25 de março a 30 de abril de 2026
Horário: 12h às 21h
Onde: Parque Ibirapuera, São Paulo – Pavilhão das Culturas Brasileiras
Info: [email protected] e www.bienaldearquiteturabrasileira.com Ingressos:https://www.ingresse.com/bienal-de-arquitetura-brasileira-bab
Sobre Larissa Catossi e Gulherme Abreu:
Larissa é arquiteta e designer maranhense, tem mais de 12 anos de trajetória à frente de seu escritório, com projetos que unem identidade, naturalidade e atemporalidade. Construiu um trabalho marcado pela sensibilidade estética, pelo rigor técnico e por um repertório cultural ampliado por viagens a mais de 50 países, onde mundo e raiz maranhense se encontram em projetos contemporâneos e cheios de significado. @larissacatossiarquitetura
Guilherme é arquiteto maranhense radicado em São Paulo, onde lidera seu escritório com uma visão autoral e contemporânea. Sua produção é marcada por uma base minimalista que se encontra, deforma sutil e sofisticada, com suas raízes maranhenses, seja na escolha dos materiais, nas texturas, nas formas ou na atmosfera que cria. Esse diálogo entre simplicidade, origem e precisão estética define a essência do seu trabalho e sustenta a identidade do seu traço. @guilhermeabreuarq

